Quanto do meu patrimônio devo investir em ações?

Escrito por: - Publicado em: 16/08/2017

Muitos investidores devem estar se fazendo esta pergunta, visto que a queda consistente do retorno da renda fixa no Brasil se torna cada dia mais real. A rentabilidade de 1% ao mês, ocorrida em um passado recente, proporcionava rendimentos estáveis, acima da inflação e alta liquidez. Aqueles que vivenciaram esse tempo se lembrarão de como era fácil ganhar dinheiro com baixo risco.

 

Tal rendimento tinha total relação com as altas taxas pagas pelos títulos públicos brasileiros, quando comparadas ao padrão mundial. Em diferentes períodos do Plano Real, sua definição tinha como principais finalidades: tornar a moeda mais atrativa, sustentar a política de câmbio fixo ou controlar a inflação. Vale lembrar que chegamos a ter uma taxa de juros de 45% ao ano em 1999, um valor estratosférico.

 

Hoje, a taxa de juros brasileira está em 9,25% ao ano e, mantida a tendência de queda, uma nova realidade no campo dos investimentos se apresentará aos investidores do país.

 

As três características básicas de todos os investimentos são: risco, retorno e liquidez. Segundo a teoria, o melhor de cada um não pode ser atingido ao mesmo tempo, mas isso vinha ocorrendo no Brasil. Nos últimos anos, os títulos públicos brasileiros proporcionaram alto retorno, liquidez imediata e baixo risco, contrariando a teoria.

 

Agora, nesse novo cenário, o processo de alocação patrimonial (escolha dos investimentos) passa a ser de suma importância. Investir corretamente é tão importante quanto poupar, caso contrário, o esforço não será recompensado da melhor maneira. Assim, é necessário não só definir a parcela que deve ser alocada em ações, mas também estudar melhores alternativas na própria renda fixa para atingir os melhores resultados.

 

Acredita-se que o declínio dos ganhos da renda fixa causará uma migração em busca de maiores retornos, o que poderá aumentar significativamente esse percentual em classes mais arriscadas nos próximos anos. Nos EUA, país com o mercado de ações mais desenvolvido do mundo e onde os ganhos com a renda fixa são mínimos, cerca de 40% do patrimônio dos fundos está alocado em ações. Vale destacar ainda que aproximadamente 60% da população americana investe em ações, enquanto no Brasil este valor é inferior a 1%.

 

Na terra do Tio Sam, é usada uma regra muito simples para se chegar à parcela do patrimônio que deve ser alocada em ações: patrimônio em ações = 100 – idade. Uma pessoa com 30 anos, por exemplo, deveria aplicar 70% do seu patrimônio em ações.

 

Tal regra, entretanto, não se enquadra à realidade brasileira. O perfil conservador dos investidores em geral e os ganhos ainda elevados proporcionados pela renda fixa desestimulam o investimento em ações. Além disso, essa regra tem uma abordagem muito simples, uma vez que as características individuais de cada investidor devem ser consideradas no processo de definição da alocação de seus investimentos.

 

Nesse sentido, para traçar melhor um plano para o futuro é preciso fazer um estudo do perfil, da carteira de investimentos, e objetivos de cada investidor. Para tanto, conhecer suas particularidades e informar as características de cada investimento, são os primeiros passos.

 

Leia mais: Entenda e importância de definir seu perfil de investidor

 

Ademais, é muito importante ir além e traçar um projeto de vida. Ter um objetivo final em mente (aposentadoria, aquisição de bens etc.) torna mais fácil cumprir determinadas renúncias ou alterar a rota ao longo do caminho.

 

Nesse quesito, um planejamento financeiro de longo prazo é a melhor alternativa, pois possibilita uma visão consolidada do patrimônio do investidor, identificando a importância de cada classe de ativo, receitas, despesas, performance, eficiência fiscal, estrutura sucessória e operacional. Esse estudo permite tomar decisões transparentes e racionais, considerando seu perfil, objetivos, necessidades e aspirações.

 

Dessa forma, processo de Suitability é cumprido por completo, devido à personalização da recomendação de investimentos, que possibilita definir a parcela ideal do patrimônio que deverá ser alocada em ações e demais ativos, de acordo com as particularidades e o momento de vida do investidor. Planeje e seja feliz!

 

* Renan Lima é sócio da Alphamar Investimentos, graduado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo, Planejador Financeiro CFP® e Gestor de Recursos (Autorização CVM nº 12.321). Vice-embaixador no Espírito Santo da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Membro do Cindes (Federação das Indústrias do Espírito Santo), Instituto Líderes do Amanhã e Laboratório Estudar, programa de formação de lideranças da Fundação Estudar. Também atuou no Financial Times Group – Merger Market – em Londres, Inglaterra, e foi Trainee nas Lojas Riachuelo S.A.

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