O que é a Taxa Selic? Entenda como ela afeta sua vida

Escrito por: - Publicado em: 04/10/2016

Muito se escuta falar sobre a Taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). O número é uma referência para a economia brasileira e para algumas operações, como o rendimento de juros das aplicações financeiras em bancos e no Tesouro Nacional. Além disso, é o percentual de juros utilizado em empréstimos interbancários e dos bancos para o governo federal.

 

Por ter tanta influência no cenário econômico-financeiro brasileiro, essa taxa tem grande impacto na economia doméstica também. Ou seja, é interessante conhecê-la e, de certa forma, acompanhar sua flutuação, sabendo o que significa o seu ponto de parada.

 

Entenda agora como a taxa é decidida e alterada e quais efeitos essa variação surte nas finanças pessoais.

 

Mudanças na taxa

O órgão que estabelece a Selic é o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias. Mesmo assim, uma nova taxa é revelada a cada mês — como você pode ver na tabela da Receita Federal.

 

Para a definição do percentual, um grupo é formado por diretores de departamentos importantes político-econômicos e pelo presidente do Banco Central. Essa cúpula avalia indicadores e fatores de evolução de política monetária, economia, liquidez, reservas e operações de mercado, bancos e do país — em níveis nacional e global. Além disso, o comitê analisa também as consequências que cada decisão pode gerar antes da consolidação do número e de sua divulgação oficial.

 

Efeitos da redução

Quando a Selic tem queda, os bancos passam a emprestar menos dinheiro para o Estado, por terem menor retorno, e mais para pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Isso ocorre porque se torna mais interessante receber juros comerciais — muito acima da Selic — do que a própria taxa básica sobre as operações. E, por isso, o crédito torna-se mais barato para esse público.

 

Para o consumo em geral, o que ocorre acima gera o que a população percebe. Com crédito mais acessível financeiramente e na prática de concessão, todos os setores do mercado são beneficiados em financiamentos e desenvolvimento. Porém, a inflação sobe, como veremos em detalhes a seguir.

 

Já para os investidores, a redução não é tão interessante. Pois a queda da Selic, baliza derentabilidade em alguns investimentos, também reduz os rendimentos das aplicações financeiras de renda fixa pós-fixada — como CDB e CDI — e de títulos públicos do Tesouro Nacional.

 

Efeitos do aumento

Aqui, os investidores e bancos são os maiores beneficiados. Os primeiros por terem seus rendimentos aumentados — afinal, as instituições financeiras utilizam esse capital como dinheiro emprestado para suas operações e pagam por isso. E os bancos passam a conceder mais crédito ao governo, um bom pagador, tendo mais retorno. Também, o crédito concedido às empresas e pessoas, mesmo em menor número, gera mais lucro porque as instituições atribuem juros mais altos na concessão.

 

Por outro lado, a economia doméstica e a empresarial sofrem porque as compras parceladas encarecem e a tomada de crédito também. Mas os preços ficam mais baixos ou se estabilizam, o que também explicaremos em seguida.

 

Efeitos da estabilização

A estagnação da Selic não significa simplesmente que tudo fica como está. É claro que, quando o Banco Central decide mantê-la, principalmente evitando uma queda, está tentando não onerar os preços ao consumidor. Mas um taxa estanque pode gerar consequências tanto positivas quanto negativas.

 

A variabilidade ocorre porque os efeitos da oscilação podem demorar algum tempo a serem sentidos na prática. Ou seja, os preços podem subir ou descer mesmo com a estagnação — como resultado de aumento ou queda do mês anterior ao último. Por isso, e por diversos outros fatores da economia, os bancos podem cobrar mais ou menos pelo crédito, mesmo com a decisão do Copom de não mexer na taxa.

 

Já os investidores mantêm seus rendimentos na renda fixa e nos títulos públicos quando a Selic fica imóvel. Porém, as decisões podem ser de frear o investimento pela continuidade do baixo ganho ou de aumentá-los se a paralisação for de uma taxa interessante ao retorno.

 

Taxa Selic e a inflação

Enquanto a Selic representa o mínimo de retorno sobre empréstimos e investimentos e um parâmetro para atribuição de juros, a inflação é o percentual de subida nos preços em geral ao ano — tanto para o consumidor quanto para o setor produtivo. Porém, a taxa influencia os preços também e, por isso, tem relação com a inflação.

 

Diferentemente da taxa básica de juros, a inflação não é e não pode ser definida por algum órgão ou comitê, mas pode ser controlada. Então, o Copom utiliza — e modifica — a Selic para controlá-la.

 

Manter a Selic evitando queda ou aumentá-la é um método de conter preços quando começam a subir. Isso inibe o crédito e faz com que menos dinheiro fique disponível no mercado. E o consumo diminui: menor demanda de pessoas e empresas, oferta mais barata no geral. Na contramão, reduzir a taxa estimula a tomada de crédito e as compras parceladas. Com isso, o setor produtivo passa a ter maior demanda, o que faz os preços subirem.

 

E o que você deve estar pensando é exatamente o que ocorre: para conter preços e não onerar demais a população, o Banco Central opta por desacelerar a economia e o crescimento.

 

O governo federal faz isso também porque seus títulos públicos tornam-se menos interessantes com uma Selic baixa. Então, grandes reduções são prevenidas para que o governo não perca muito dinheiro e a inflação não tome uma rota de subida recorrente e galopante. E, além da desaceleração econômica, outra consequência negativa do aumento da Selic é a subida da dívida pública, pois grande parte dela está atrelada a juros.

 

É uma via de mão dupla, mas todos são prejudicados. Mesmo que a inflação seja controlada e o bolso do consumidor seja aliviado por um tempo, o desaquecimento da produção de mercadorias e serviços não age em favor da geração de empregos, de renda, de impostos e nem da expansão de negócios.

 

E então, percebeu como a Selic e sua influência afetam sua economia doméstica no dia a dia? Tem mais alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu comentário!

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