Economia instável e cotação do dólar: qual é a relação entre os dois?

Escrito por: - Publicado em: 26/01/2016

Muitas pessoas se perguntam qual a relação entre os sinais de uma economia instável e a alta na cotação do dólar, já que esses são cenários que costumam andar juntos.

 

E há mesmo uma relação de causa e consequência entre eles! Pensando nessa temática, preparamos um post com as principais informações que você precisa saber sobre esse tema. Confira!

 

Como funciona a cotação do dólar

 

Basicamente, além de ser uma moeda corrente, o dólar americano é também um ativo, um bem imóvel, ou uma mercadoria. Isso significa que seu preço varia de acordo com as leis de oferta e de demanda do mercado, independentemente de determinações do governo. Ou seja, se mais pessoas querem vender dólares e comprar reais, o preço do dólar diminui em relação ao real, e a taxa de câmbio consequentemente cai.

 

Quando mais pessoas querem comprar dólares em vez de reais, aumenta a demanda pela moeda estrangeira e seu preço também se eleva. Essa relação varia de minuto a minuto, com cotações definidas de acordo com negociações em curso no mercado financeiro (notadamente a Bovespa). Casas de câmbio, bancos e outras instituições financeiras que também compram e vendem dólar podem apresentar discrepâncias entre as taxas, mas elas costumam seguir uma mesma tendência de alta ou queda.

 

As várias razões para a instabilidade econômica atual

 

São inúmeros os motivos para a instabilidade econômica atual. Vamos listar as principais razões que podem estar contribuindo para o desemprego, alta nos juros e na taxa de inflação. Veja:

 

→ Gastos governamentais excessivos

 

É comum que, em anos eleitorais, o governo gaste além de suas possibilidades para manter a economia aquecida. No entanto, uma das consequências disso é aumento do déficit nas contas nacionais e a necessidade de uma política de racionalização de gastos no futuro, com cortes, aumentos de tarifas e de impostos. É justamente o que vivemos hoje.

 

→ Escândalos políticos

 

Por mais que os diversos escândalos políticos atuais não sejam da área econômica, eles têm efeitos diretos sobre o mercado. Isso porque passam a impressão de descontrole, evidenciam a corrupção e aumentam a insegurança de investidores estrangeiros, que preferem não deixar dinheiro no país.

 

→ Reajuste de tarifas

 

Tendo em vista que muitas tarifas de serviços básicos (energia, transportes, telefonia, planos de saúde, etc.) são reguladas pelo próprio governo, é comum que elas sejam reajustadas com frequência para acompanhar a inflação, por exemplo. No entanto, o governo federal decidiu “segurar” os reajustes nos últimos anos até que a situação ficasse inviável. Quando feitos, eles foram acompanhados de aumentos expressivos em pouco tempo. Isso gerou aumento vertiginoso da inflação e contribuiu para agravar os efeitos da crise.

 

→ Redução do crédito

 

Fazia parte da política econômica do Brasil uma expansão do crédito (imobiliário, pessoal e em outros setores), com o objetivo de fazer a economia crescer por meio do consumo. No entanto, essa política se desgastou, muitas pessoas e empresas se endividaram, e agora é necessário fazer uma política contracionista do crédito, com aumento de juros e redução dos limites de financiamento. Isso gera também menor crescimento econômico.

 

Fatores externos: como a economia internacional influi no câmbio

 

Outro motivo para as oscilações do preço da moeda estrangeira é a economia internacional, que foge do controle das ações do governo. O Banco Central dos Estados Unidos, por exemplo, pode emitir mais dólares e lançá-los no mercado. Com maior oferta dessa moeda, seu preço diminui como um todo nos vários mercados do mundo, inclusive no Brasil.

 

Já se o Banco Central americano resolve comprar dólares, aumentar juros e tirar sua moeda de circulação, o efeito é o contrário: aumento do preço do dólar nos vários mercados mundiais. A expectativa é que os Estados Unidos façam isso nos próximos meses, como forma de atrair mais investimentos estrangeiros e estimular internamente sua economia. Ou seja, há expectativa no mercado de valorização ainda maior do dólar americano.

 

Consequências da instabilidade: desconfiança de investidores estrangeiros

 

Tendo em vista todos esses aspectos econômicos, sociais e políticos (escândalos de corrupção, aumento dos juros, desemprego, inflação, etc.), a principal consequência é a fuga de investidores do Brasil, que preferem alocar seu patrimônio em mercados mais seguros, de maior previsibilidade. Ao fazer isso, precisam trocar seus investimentos no território nacional pela moeda estrangeira, o que gera aumento na cotação do dólar em função da elevação de sua procura.

 

Por essas e outras razões, agências de avaliação de risco financeiro, como a Fitch e a Standard & Poor’s reduziram suas respectivas notas de avaliação de crédito para o Brasil. Isso é um sintoma claro de como a instabilidade provoca fuga de capitais e, consequentemente, alta da taxa de câmbio no país. No início de 2015, a taxa do câmbio comercial era de R$ 2,69, sendo que em dezembro a média foi de R$ 3,90!

 

A alta do dólar também gera consequências para os brasileiros, como o encarecimento das passagens áreas.

 

O que achou dessas informações? Ainda tem dúvida sobre como a instabilidade econômica e a cotação do dólar estão relacionadas? Deixe um comentário abaixo! Participe!

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