Como descobrir a rentabilidade real de um investimento?

Escrito por: - Publicado em: 12/07/2016

Quando o país está economicamente forte, os investimentos costumam ir de vento em popa, mas, quando a situação não é favorável, a taxa básica de juros da economia e a inflação tendem a se elevar, o que obriga os investidores a realizarem cálculos adicionais para descobrirem a rentabilidade real dos investimentos.

 

Infelizmente, pode acontecer de alguns apresentarem resultados reais negativos, ou seja, com seu dinheiro valendo menos. Mas isso não é só culpa da economia! Na verdade, todo investidor deveria saber realizar o cálculo de rentabilidade real de um investimento. Quer aprender? Então continue lendo nosso post!

 

É preciso retirar os efeitos inflacionários

 

A primeira coisa a ser feita é descontar os impactos que a inflação deixa no poder de compra do seu dinheiro investido. Há várias maneiras de se realizar tal cálculo, e a coisa não é tão simples quanto parece. Vamos apresentar uma situação de exemplo.

 

Vamos imaginar que, no início de um ano, você tenha investido R$ 100,00. Ao fim desse mesmo ano, a rentabilidade alcançada foi de 10%, ou seja, o seu investimento será atualizado para R$ 110,00.

 

Na mesma época, o governo divulgou o índice oficial de inflação da economia, que chegou, hipoteticamente, em 5% ao ano. Isso quer dizer que, no geral, toda a economia esteve 5% mais cara. O que os seus R$ 100,00 compravam no início do ano precisam de mais 5%, ou seja, R$ 5,00, para ter o mesmo poder de compra.

 

Podemos dizer, então, que o ganho seria R$ 10,00 (ganho total no ano) menos R$ 5,00 (efeito inflacionário sobre os R$ 100,00), ou seja, R$ 5,00. Comparando esse valor com os R$ 100,00 inicialmente investidos, obtém-se o percentual de 5% de rentabilidade real. Podemos utilizar esse cálculo, certo? Errado. Ele está incorreto ou, pelo menos, foi feito de maneira inapropriada.

 

A forma certa para achar o retorno real de um investimento

 

Agora que nós sabemos que a forma correta não é simplesmente subtrair o ganho do valor da inflação, vamos aos cálculos corretos para encontrar a rentabilidade real. Os valores devem ser obtidos com base no retorno nominal, ou seja, considerados sobre o valor integral.

 

Há duas maneiras de realizar esse cálculo, mas ambas devem considerar sempre os valores totais e não apenas a inflação e os juros ganhos, como foi feito anteriormente. Note que os valores utilizados foram R$ 10,00 e R$ 5,00, equivocadamente. Os que deveriam ser utilizados são os de R$ 110,00 e R$ 105,00.

 

Para o cálculo, deve-se pegar o valor final corrigido, ou seja, o valor ao fim do ano, que é R$ 110,00, e compará-lo ao valor com efeito inflacionário, que é R$ 105,00. Na fórmula matemática, fica assim: (1 + rendimentos) / (1 + inflação) – 1. No exemplo dado, seria (100% + 10%) / (100% + 5%) -1. Fazendo os cálculos, seria 110% / 105% -1. O resultado encontrado é de  4,76%, contrastando com o de 5%.

 

E dá para fazer esse cálculo de maneira mais rápida? A resposta é: sim!

 

Basta pegar o valor ao final do investimento, depois de ser rentabilizado, e dividi-lo pelo valor inicial, o que foi posto para gerar ganhos. Nesse caso, o cálculo mais rápido seria 110 / 105 – 1, o que dá os mesmos 4,76%.

 

Cálculo de rentabilidades negativas

 

Mas e se o rendimento não superar a inflação? Isso tem acontecido com a caderneta de poupança. Como a taxa básica de juros está acima dos 10%, a poupança voltou a render 0,5% ao mês mais a TR, o que dá algo entre 6,5% e 7% ao ano. Mesmo com a vantagem da isenção de Imposto de Renda, a poupança tem perdido valor no decorrer do tempo.

 

Considerando 2015, com uma inflação um pouco maior que 10%, já é possível identificar a rentabilidade real da poupança. Para os cálculos, vamos imaginar um investimento de R$ 500,00 realizado em janeiro de 2015 e retirado em dezembro.

 

Ao fim do ano, o valor obtido — considerando um rendimento de 7% —, seria de R$ 535,00 com uma inflação de 10% acumulada no ano. Novamente, é equivocado simplesmente dizer que a poupança perdeu 3% (7% de ganho contra 10% de inflação), pois devemos sempre considerar os valores nominais.

 

Nesse caso, o cálculo seria o seguinte: (1 + 0,07) / (1 + 0,10) -1. Simplificando tudo, seria 1,07 / 1,10 – 1. O retorno negativo seria de 2,73%, que é a perda real que o investimento com a poupança trouxe em 2015 para os poupadores.

 

Vantagens de se realizar o cálculo correto

 

Ao utilizar a forma correta de se calcular o retorno, você encontrará o seu ganho real, o quanto o seu poder de compra ganhou em relação ao início do investimento. A inflação é um ponto-chave para um bom retorno, pois de nada adianta você obter retornos considerados bons, como 10% ou 15% ao ano, se os índices de inflação continuarem acima dos 10% ao ano.

 

Vai investir em 2016? Pois veja o histórico das suas opções de investimento. Eles não garantirão nenhum tipo de retorno futuro, mas você poderá compará-los com a inflação obtidas nos anos anteriores e identificar a rentabilidade real que cada um trouxe naqueles períodos.

 

Eles servirão como referência para identificar a modalidade de investimento que vai mais se adequar ao seu perfil de investidor. Mais risco ? Menos risco? Tanto faz! Você não pode deixar de analisar a rentabilidade real dos investimentos para saber o que esperar no futuro, pois sua fórmula pode ser utilizada em períodos curtos, como um mês, e também em longos, como dois ou três anos, por exemplo.

 

Ficou com alguma dúvida sobre o cálculo da rentabilidade? Então deixe um comentário!

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